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Essa visão solitária. 
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Data de registro: Dom Nov 16, 2008 4:53 pm
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Mensagem Essa visão solitária.
Tema: Drama.

~~~~~~~~~~~*

Deitada no sofá veludoso de sua casa, Laila desviou seu olhar da televisão para a janela e distraidamente observou flutuar as partículas brilhantes de poeira refletidas ao sol. “Com os pássaros compartilho essa visão solitária”, pensou lembrando-se de uma música antiga. Internacional, famosa... Não importava agora, mas havia essa letra melancólica que descrevia todo o silêncio da sua visão neste momento. Olhava fixamente para cada partícula que dançava aos seus olhos.
Uma esperança reprimida há tempos veio a sua mente, e um impulso forte de desprender-se de si mesma a enlaçou, desejou por um momento libertar tal sentimento até que este explodisse e flutuasse brilhando como aqueles sujos fragmentos de poeira. Levantou-se desligando a televisão. Decidiu caminhar em uma praça existente em seu bairro e aprontou-se ligeiramente para sair, avisando antes ao seu irmão que voltaria por volta do pôr-do-sol.
Ao caminhar, observava todo aquele ambiente artificial criado pelas pessoas, enquanto estas se perguntavam por que razão aquela garota era tão desinteressada por todos. Laila parou por um momento, imersa em seus pensamentos, estremeceu ao lembrar-se da incerteza que sempre a perseguia... Não compreendia ainda por que nunca mais conseguiu se aproximar de alguém, seu maior confidente era o silêncio há tanto tempo que começava a sentir a necessidade de compartilhar qualquer pensamento, um “bom dia”, um “oi”, um gesto, queria sentir o olhar carinhoso da amizade, há muito esquecido, que nem mesmo o silêncio conseguia interferir.
Chegou à praça e sentou-se em um banco próxima a alguém, que se afastou instintivamente. Esse é sempre o objetivo das pessoas... Afastar-se. Ela estava tão distraída com suas idéias, que não ouviu alguém chamá-la ao lado.
- Garota, não está me ouvindo? – Quem falava era uma criança, um garotinho que ela havia visto pouco antes de chegar à praça.
- Desculpe... – Respondeu ela, sem graça. Era muito difícil alguém lhe dirigir a palavra, por isso não havia notado o garoto. – O que você disse? Estava um pouco distraída... – O garoto sorriu e disse:
- Eu sei! Mas você estava tão triste... Eu dizia que... - Ele notou a expressão desgostada de Laila - Estou te atrapalhando? – Perguntou então.
- Não... É que... Bom, não é importante, uma criança como você jamais entenderia. Você tem amigos, não? Como se chama? – Ela estava começando a achar interessante a idéia de ter alguém para conversar, por mais que fosse uma criança.
- Sim, tenho – Respondeu ele – eu sou Levi, vim aqui para te chamar, você não quer brincar? Você sempre vem aqui sozinha, então eu pensei...
- Tudo bem. – Ela o interrompeu. – Eu vou com você, se quiser. Sou Laila. – Disse ela.Por um momento pensou, “Por que nunca consigo dizer não? Preciso sempre estar fazendo submissão aos outros?” Mas os olhos do garoto brilharam alegres quando ela concordou, e isso a fez repensar. Por mais que pudesse ser uma vergonha em sua adolescência brincar com crianças, ela não se sentia perturbada, não tinha amigos mesmo. O máximo que poderia conseguir seria alguns olhares indiscretos, mas ela não se importava mais. O garoto a segurou pela mão e a levou até um grupo de crianças sorridentes, no centro da praça. Estavam todos esperando por ela. “Que incomum”, pensou Laila.
Alguém sugeriu uma brincadeira, e começaram todos a correr. Laila desejava que aquilo tudo houvesse acontecido para que ela se libertar, e fizesse uma, ao menos uma amizade. Ela percebeu que as crianças não se importavam por ela ser tão quieta, e a tratavam normalmente. Diferentemente dos adultos e outros adolescentes de sua idade.
Estranhamente ela se sentia... Feliz. Aquele era um clima alegre. Crianças brincando sempre são alegres, são todas tão inocentes que Laila estremeceu ao pensar em tudo que haveriam de passar para se tornarem maduras, ela só desejava que não passassem pelo que ela passou. E começou a lembrar-se de tudo... Seus pais morreram quando ela ainda era pequena. E a responsabilidade por ela ficou sendo totalmente do seu único irmão. E ele nunca gostou dela, sempre a maltratava de todas as maneiras possíveis, sempre. O sorriso de seu irmão ao humilhá-la em público na escola era tão desumano que ela não voltou ao colégio nunca mais, seu irmão pouco se importou, indiferente. E ela se deixava levar pelas lembranças por um momento até que Levi a estava sacudindo suavemente para despertá-la.
- Tudo bem, Laila?- Perguntou ele, preocupado.
- Sim... – Respondeu ela. Aquela pergunta era ainda mais incomum, ela sentiu seu olhar preocupado - Desculpe, eu me distraí novamente. – Ele assentiu ainda não tão convencido.
Foi então que ela sentiu um olhar conhecido, terrivelmente sincero golpeando-a. Olhou para trás e viu seu irmão, ela havia esquecido o horário de voltar, o pôr-do-sol há muito já havia passado, só conseguiu pensar nesse momento: “Adeus”.
- Oh... M-meu Deus, eu preciso ir... – Ela estava gaguejando, enquanto seu irmão se aproximava dela e de Levi ela tentou se despedir rapidamente, mas Levi não cooperava.
- Por quê? Você está muito assustada Laila, o que aconteceu? – Ele em sua inocência tentava compreender o olhar de terror, sem perder a calma.
- Não há nada... Só estou atrasada para algo muito importante, adeus amigo – Respondeu ela surpreendida consigo mesma, havia feito um amigo afinal, mas provavelmente não o veria mais. Outra ironia do destino. Mas agora ela só pensava em qual punição seu irmão a enviaria daquela vez. Caminhou em direção a ele, então ele disse:
- Você acha que eu sou ****** Laila? Não pode contradizer nada para mim, você sabe disso. Nossos pais foram embora por sua culpa, você sabe, mas não custa lembrá-la. E agora quer ainda mentir para seu irmão? Vamos embora rápido, tenho um trabalho para você.
- S-sim... Ricardo – Assim ele se chamava – Desculpe... Eu perdi a hora.
- Não quero você com aqueles pirralhos, não são da sua idade, você quer passar vergonha dessa maneira? Qual o seu problema? – “Você”, ela esteve tentada a dizer, mas não ousou fazê-lo. Ele estava mais nervoso do que normalmente, certamente tinha estado bebendo. Ela o seguiu, quietamente pela rua enegrecida, imaginando que poderia acontecer.

Do outro lado da rua, estava Levi que reconhecia o desespero nos olhos de Laila e, secretamente, os seguiu como uma sombra na noite. Ao chegar ao que parecia ser a casa deles ele a olhou nos olhos profundamente, ela tentava dizê-lo para sair dali, mas estava sem ânimo qualquer para conseguir fazer isso.

Levi correu em direção a sua casa, estava chorando, seus pais ao o ver perguntaram preocupados o que havia acontecido, enquanto ele só gritava pedindo para fazerem algo por Laila. Ele não tinha idéia do tipo de tortura que Laila passava, mas sentia que não era nada bom, ele podia sentir, pelo pouco tempo que passaram juntos ele conseguia perceber seu sofrimento. “Mas quem é Laila?” os pais perguntavam e o garoto somente explicou rapidamente que ela estava sofrendo, e que era sua amiga. Depois dessa pequena explicação os pais ainda sem tanta convicção foram ao lugar determinado pelo garoto e conseguiram ouvir um som de choro abafado. Foi o suficiente para tentarem fazer algo, mas ao tocarem a campainha da casa, o som parou, ficou apenas silêncio, como se a casa estivesse vazia. Esperaram um pouco mais, e nada.

Então voltaram para casa, com o garoto ainda implorando para fazerem algo, quando chegaram comunicaram a polícia sobre o que ouviram, esta prometeu ver a casa no dia seguinte. Nessa noite todos dormiram perturbados.
No dia seguinte Levi correu a casa de Laila, ela não estava e não havia ninguém. Caminhou até a praça familiar, que apesar dos amigos correndo e sorrindo, era uma cena triste. O sol já estava alto, iluminando suas esperanças Então ele a viu, sentada, olheiras profundas em seus olhos, hematomas no rosto, nos braços, olhando o vazio. Ficou em dúvida se seria ela mesma, mas a reconheceu quando viu seus olhos escuros e ela sorriu um sorriso melancólico, sofrido.

- Olá... – Disse Levi, inseguro.
- Bom dia – Ela respondeu com o mesmo sorriso triste.
- Está tudo bem? – Perguntou ele, sem muita certeza de que aquela seria uma pergunta apropriada.
- Sim... Está sim. – Respondeu ela. - Está sim. – Repetiu para tentar acreditar no que dizia.
- Alguém apareceu hoje... Na sua casa?
- Alguém? Não, não veio ninguém... – Ela desviou o olhar. Levi suspirou, onde a polícia estaria...? De qualquer maneira, não havia muito que pudesse fazer. Era apenas uma criança. Ficaram assim, apenas parados um do lado do outro com o silêncio acalentando suas forças.
Então Levi a abraçou. Um gesto simples que dizia que tudo ficaria bem, mesmo que não fosse toda a verdade. Consolava-a que agora havia um amigo para compartilhar as situações mais simples da vida, como um abraço. Pelo menos poderia suportar um pouco mais o viver... Sorriu levemente e disse para ele:
- Então, você quer brincar hoje?

Fim :3


Dom Nov 23, 2008 3:15 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
WAAAH~ Ç____Ç Que história linda!! *dies* Droga, eu adoro dramas >_>'' Sua história está realmente emocionante ;o;~ eu amei!! <3


Dom Nov 23, 2008 3:30 pm
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Data de registro: Sex Nov 14, 2008 2:52 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
Nossa mais que lindoo :3.
Eu não gosto muiito de drama, mas alguns são tão bons que eu não resisto.
Posso dizer uma coisa? >_<
A Laila me lembrou você, Ama o_o.


Dom Nov 23, 2008 3:41 pm
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Data de registro: Dom Nov 16, 2008 4:53 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
NekoSakky escreveu:
Nossa mais que lindoo :3.
Eu não gosto muiito de drama, mas alguns são tão bons que eu não resisto.
Posso dizer uma coisa? >_<
A Laila me lembrou você, Ama o_o.


Nah, creio que você tenha razão em alguns aspectos xD
Eu comecei esse conto numa época bem, hmm, triste da minha vida, digamos assim x3
Mas cada texto tem um pedaço de seu autor em alguma parte, creio eu o/


Dom Nov 23, 2008 9:39 pm
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Data de registro: Sáb Nov 15, 2008 2:16 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
Ama escreveu:
Mas cada texto tem um pedaço de seu autor em alguma parte, creio eu o/


Eu também acho que seja por aí ;3 afinal, é assim que você mostra que a obra é sua!


Seg Nov 24, 2008 1:40 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
Nossa,Ama!~ Chorei ç__ç *apanha*
lindo,amei *--*


Sex Dez 05, 2008 4:11 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
Nyaaaaaaaaaa, que triste T_T Quer dizer, o final foi até feliz de um certo modo, diferente de muitos dramas que vemos por aí o_o' Mas eu adorei, apesar de não curtir tanto assim esse tipo de tema. xD

Acho que vou sonhar com uma continuação alternativa da história xD *sempre faz isso* q

P.S.: Nossa, a fic foi postada em novembro e eu to comentando agora o.o'


Seg Jan 05, 2009 2:05 am
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Data de registro: Sáb Nov 15, 2008 2:16 pm
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
unhappygirl escreveu:
P.S.: Nossa, a fic foi postada em novembro e eu to comentando agora o.o'
O nome disso é falta de membros x_o' mas a gente vai revertendo isso pouco á pouco! >3


Seg Jan 05, 2009 1:31 pm
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Data de registro: Dom Nov 16, 2008 4:53 pm
Mensagens: 607
Localização: Incerta
Mensagem Re: Essa visão solitária.
unhappygirl escreveu:
Acho que vou sonhar com uma continuação alternativa da história xD *sempre faz isso* q
P.S.: Nossa, a fic foi postada em novembro e eu to comentando agora o.o'


Nah, td bem xD que bom q vc gostou :3
Em todas as minhas histórias eu invento finais alternativos, mas só escolho um, exceto uma que fiz outro dia, num consegui me decidi entre o final incerto feliz e o final incerto triste xD
Enfim, é uma maneira de expandir a minha mente x3


Ter Jan 06, 2009 11:39 am
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Data de registro: Sáb Jan 03, 2009 4:03 pm
Mensagens: 79
Localização: São Paulo - SP
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Mensagem Re: Essa visão solitária.
Ama escreveu:
Nah, td bem xD que bom q vc gostou :3
Em todas as minhas histórias eu invento finais alternativos, mas só escolho um, exceto uma que fiz outro dia, num consegui me decidi entre o final incerto feliz e o final incerto triste xD
Enfim, é uma maneira de expandir a minha mente x3

Que legal *-* Eu não sou uma escritora de fics, por isso não sei bem como é, mas ouvi dizer que quando a gente começa a escrever uma história, às vezes ela nos leva para caminhos que nem imaginávamos que iríamos escrever, e às vezes o final se constrói sozinho. o_o Ou às vezes temos de escolher entre um caminho e outro, cada qual nos levando a um final diferente @_@ A não ser que se comece a história do fim, eu já vi isso. 8D


Ter Jan 06, 2009 12:27 pm
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