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Konoha: um reino. 
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Data de registro: Sáb Nov 15, 2008 2:16 pm
Mensagens: 1302
Localização: Germany
Mensagem Konoha: um reino.
Tema:Romance, Soft Yaoi, Drama.
Pairing: Naruto x Sasuke [narusasu] / Sasuke x Naruto [sasunaru]

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Preview: Era uma vez um reino muito, muito distante situado no País do Fogo, numa vila chamada Konoha. Lá o rei Minato comanda seu território juntamente com sua rainha, Kushina, e seu filho, Naruto, o qual está sendo preparado para assumir o trono.


Capítulo 1 - Como uma flecha.

Era um dia ensolarado no reino de Konoha¹. Havia poucas nuvens no céu, mas estas impediam que o calor fosse absurdo. Duas mulheres andavam pelo castelo do rei, conversando. Aparentemente, a da direita era uma empregada nova, e estava sendo-lhe apresentado o castelo pela veterana que já tinha seus 60 anos. Á medida que passavam pelos aposentos, a senhora ensinava á nova pupila a preferência dos membros da corte quanto ao modo de arrumar seus quartos, e também lhe informava sobre cada um deles, apresentado seus nomes e caracterizando-os. A nova empregada estava nervosa; ouvia tudo com muito cuidado, mas não absorvia nada devido ao seu extremo nervosismo.
Foram passeando pelo castelo até que chegaram ao portão, que se encontrava aberto.
- A partir de agora esperaremos uma outra servente, que lhe acompanhará pelo jardim, contando-lhe a história deste reino.
- Sim, senhora. - A nova empregada estava esperando que fosse uma velha de pior estado do que esta que estava ao seu lado. Começou a pensar que ter vindo para este castelo teria sido um erro. Foi então que elas ouviram galopes ao longe. A noviça ficou tensa: estariam sido atacados justo em seu primeiro dia de trabalho? Percebendo sua agonia, a veterana logo lhe informou:
- Não tema. O príncipe gosta de fazer uma caminhada á cavalo com seu amigo nos sábados. Eles devem estar voltando para o almoço. - Com estas palavras a empregada nova ficou tranqüila. Não era tão azarada quanto pensava, afinal. Agora já era possível reparar na cor de seus cavalos: um deles era negro e o outro branco como a neve. A empregada não soube distinguir qual deles era o do príncipe.
De repente o cavalo negro ganhou mais velocidade e o cavalo branco ficou para traz. Pareciam estar apostando uma corrida. À medida que o cavalo negro se aproximava, era possível ver seu cavaleiro com mais clareza: possuía cabelos negros que, com o reflexo da luz do Sol ganhava uma cor azulada, e olhos igualmente escuros. Logo ele já estava bem perto, e quando chegou bem perto das mulheres paradas á porta, desceu de seu cavalo.
- Bom dia. - disse, passando a mão por seus cabelos que voavam com o vento forte que passava naquele momento. Observando-o de perto a empregada nova percebia que ele era, além de jovem, muito alto. E de uma beleza que ela não conseguia definir. Ela ficou maravilhada e não percebeu os olhares de censura que a veterana lhe lançava. Logo o cavalo branco se aproximava e quando chegou bem perto, seu cavaleiro exclamou:
- Sasuke! Isso é injusto, você saiu na minha frente de novo. - Ele era loiro e portador de olhos azuis da cor daquele céu de imensidão azul. Quando percebeu que tinha mais gente ali, logo se apressou - Bom dia, senhoras.
- Bom dia, majestade - disse a veterana, fazendo uma mesura e cutucando de leve a noviça para fazê-lo também. Esse era o príncipe? A empregada nova estava indignada, podia jurar que o outro era o herdeiro do trono. - Seus pais o esperam na sala de refeições.
- Ah, é mesmo. Já está na hora do almoço! - disse o príncipe, descendo de seu cavalo branco.
- Essa aí é a empregada nova? - perguntou o amigo do príncipe, acariciando a face de seu cavalo.
- É, meu senhor.
- Então, ela vai guardar nossos cavalos? Que eu saiba as empregadas novas são sempre encarregadas de fazerem isso, não é? - ele tinha um sorriso malicioso no rosto, como se tramasse alguma coisa. O príncipe começou a rir. A empregada nova não sabia o que fazer.
- Vai, ela vai guardar os cavalos dos senhores agora mesmo. - disse a veterana, empurrando a noviça para perto dos cavalos. A menina entrou em pânico: tinha medo de cavalos. O garoto de cabelos negros olhava interessado para a moça, e o príncipe abafava risadas com as mãos. Ela pegou nas rédeas dos cavalos amedrontada e eles se despediram, indo agora em direção ao coração do castelo, para a sala de refeições.
- Ah, é mesmo... - lembrou o amigo do príncipe, que parou também - eu se fosse você tomava cuidado com o meu cavalo. Ele dá coices ás vezes. Mas só ás vezes. - A empregada sentiu que via um olhar assustador na face do cavalo negro e sentiu um frio na espinha, mas ficou calada. - Boa sorte! - E se viraram para ir almoçar.
Quando chegaram á sala vasta, com uma mesa enorme e cheia de pratos dos mais diversos tipos, já estavam todos aos seus postos: o rei ocupava a cabeceira e do seu lado direito se encontrava sua mulher que exibia um lindo vestido vermelho que combinava com seus cabelos. Do outro lado do rei se sentaria o príncipe e do lado deste o seu fiel amigo. Do lado da rainha estava sentado o conselheiro do rei. Outras pessoas ocupavam os outros lugares, pessoas mais chegadas á corte e padres. Logo o príncipe e o garoto de cabelos negros ocuparam seus devidos lugares e em seguida vieram as criadas trazendo pratos frescos para a refeição principal.
- E então, já encontraram a nova servente? - puxou assunto o rei, que comia animado, exatamente como seu filho. A rainha apreciava o modo como eles eram parecidos e atacavam a comida com voracidade.
- Ah! Sim, sim, encontramos ela. - dizia o príncipe limpando a boca para não parecer deselegante na frente das visitas. Era sempre desconfortável para ele estar na presença dessas pessoas, que exigiam que ele fosse muito cortês. Já seu amigo não se importava: ele sempre era educado, parecia fazer parte dele. - Sasuke já cuidou de fazer as honras da casa.
- Eu acho que ela tem medo de cavalos. - Comentou ele. - Por isso pedi a ela que fosse guardar os nossos. - O rei riu-se.
- A cena deve ter sido ótima! - A família tinha mania de "assustar" os empregados no primeiro dia. Era um jeito de quebrar o gelo, segundo eles. Conversaram sobre muitos assuntos, alguns mantinham conversas paralelas: o rei conversava com a rainha e com seu conselheiro, os padres comentavam com o líder do esquadrão de Konoha sobre a situação do reino e o príncipe ainda reclamava com seu amigo sobre a corrida que fizeram a pouco tempo. - Querido, não acha que deve contar ao seu filho agora? - disse finalmente a rainha, quebrando a conversa dos demais.
- É, acho que agora é uma boa hora. Naruto, meu filho. Daqui á um mês virá um grande amigo meu para Konoha - o príncipe olhava para o pai enquanto se degustava de um pedaço de frango - e eu solicitei á ele que trouxesse sua filha, a princesa daquele reino, para conhecê-lo!
O príncipe percebeu que aquele era um indício de um casamento arranjado. Normalmente os reis costumam oferecer suas filhas aos reis de outros reinos como prova de sua amizade ou para fecharem um acordo. É assim que funciona num reino.

Konoha¹: Nesta fic eu não pude usar de "Konohagaruke", pois sua tradução é "Vila oculta da folha" e a história não se passa na vila e sim num reino.


O príncipe engasgou ao ouvir essas palavras. Estava tossindo muito, e Sasuke lhe dava uns tapas nas costas, mas parecia não adiantar muito. Então ele deu um tapão nas costas do príncipe, o que fez desentalar um pedaço de osso do frango de sua garganta, que caiu bem no copo da rainha. Eles ficaram muito constrangidos, pediram desculpas e permissão para se retirarem.
- Uma princesa?! - exclamava Naruto, que andava de um lado para o outro em seu quarto. Ele estava muito nervoso. - Eu ainda sou muito jovem pra casar!
- O rei disse que você só ia conhecê-la. As chances de que ele queira e pense num futuro casamento entre vocês é muito grande, mas é apenas uma possibilidade. - comentava seu amigo, que estava encostado junto á janela, olhando o príncipe ir de um lado pro outro.
- Eu não concordo com casamentos arranjados. Não é... Certo! Quero dizer, não é que eu não queira conhecê-la, mas eu acho que isso me deixa mais próximo de assumir o trono do meu pai.
- E daí? Um dia você vai ter que assumir o trono.
- Sasuke. Eu não me sinto preparado pra isso. - ele agora havia parado de andar e olhava nos olhos de seu amigo. Fitaram-se por alguns minutos e então o garoto de cabelos negros virou-se e passou a observar a janela.
- Há sete anos, o seu pai te deu um jogo sobre administração em um reino. Não me pergunte o nome, porque eu não me lembro. - O príncipe abaixou a cabeça.
- É, eu me lembro.
- Era evidente que aquele jogo fora planejado para testar as suas habilidades como rei. Seu pai queria saber como você se sairia quando assumisse o trono. - O príncipe nada disse, só buscava em sua memória aquela cena de sete anos atrás. - Naquela época, seu pai me obrigou a jogar o jogo com você, mesmo eu achando aquilo ridículo e odiando estar naquele castelo. - O príncipe se lembrara que eles só fizeram amizade mais pra frente, e que antes disso era difícil conviver com o Sasuke, porque ele estava sempre emburrado e nunca queria fazer as mesmas coisas que ele. - Naquele dia, eu tive certeza de que você seria um ótimo rei. Nem era porque você vencia aquele jogo, mas porque você realmente agia como um. Você tomava decisões difíceis com tanta simplicidade...
- Éramos crianças. Tínhamos dez anos, você sabe disso. Não levávamos nada á sério. - o príncipe tinha voltado a olhar para as costas de seu amigo. Este logo se virou e disse-lhe:
- Estou querendo dizer que isso está dentro de você, seu ******. Você nasceu pra ser rei. E está sendo criado para ser um dês de que nasceu. Eu sei que este assunto te preocupa, mas se você levar as coisas com naturalidade, como fez naquele dia, vai se sair bem. Por isso, não tenha medo. - O príncipe gostava de ouvi-lo falar, ele sempre tinha uma opinião formada sobre tudo, e aquilo o acalmava. Seu amigo nunca estava alterado, sempre fora muito seguro e isso sempre deu ainda mais credibilidade ao que ele falava. O príncipe abriu um sorriso quando ele acabou, e este andou mais para o meio do quarto, olhando fixamente para o chão. O futuro rei agora estava se sentindo muitíssimo melhor.
- Sasuke. - disse, fazendo com que seu amigo se virasse para encará-lo com interesse e então, abraçou-o com força. - Estou me sentindo muito melhor agora. É engraçado como suas palavras sempre me acalmam - Sasuke percebeu que ele estava sorrindo. O príncipe o abraçava com tanta vontade, que ele se sentiu obrigado a retribuir. O garoto loiro colocara seus braços em suas costas, e as pressionava como se quisesse que ele dissesse alguma coisa. Ele nada disse; só colocou uma de suas mãos na cintura do príncipe e a outra encontrou um lugar na cabeça dele, onde começou a acariciá-la de leve. Quando ele mexia nos cabelos louros do seu amigo, ele tinha uma sensação indescritível, mas adorava fazê-lo. O príncipe sempre encontrou conforto nos braços dele, se sentia muito seguro. Ficaram um tempo assim, completamente distantes um do outro, cada um em seus próprios pensamentos, mas ligados ao mesmo tempo. Era difícil para o amigo do futuro rei diferenciar aquela atmosfera. Estavam tão próximos, que ele podia sentir o cheiro do príncipe se misturar com o dele, e aquela sensação o inquietava.
- Naruto - o príncipe moveu-se, apertou ainda mais as costas do seu amigo e murmurou. - Se você não se apressar, vai se atrasar para a aula de arco e flecha. - nesse momento o príncipe virou o rosto e olhou para o relógio, que confirmava que ele estava atrasado.
- AH! - exclamou e soltou o amigo, que suspirou aliviado. - Que droga! Desse jeito eu vou me atrasar mesmo!! Se eu me atrasar mais uma vez vou ter que me explicar pra minha mãe! - ele foi em direção ao seu armário, abriu-o e pegou o seu arco e sua bolsa com as flechas, tornou a fechá-lo e saiu apressado do quarto, deixando seu amigo plenamente sozinho. Sasuke não se moveu, tentava compreender o que acabara de acontecer, queria saber que sensação estranha era aquela. Antes que pudesse chegar á uma conclusão, ouviu o príncipe chamar por ele novamente, e então o avistou na porta de seu quarto. - Eu só queria dizer... Que agradeço muito a força que você me deu agora á pouco - ele estava meio rosado e não olhava diretamente para os olhos de seu amigo, seu olhar se perdia por todos os cantos do seu quarto e quando finalmente seus olhos se encontraram, ele simplesmente sorriu e foi embora.
O garoto de cabelos negros ficou imóvel, ou pelo menos ele achava estar: não percebia que dava passos para traz, até que se afastou tanto que acabou caindo na cama do príncipe. Permaneceu quieto, apenas observando a abóbada coberta de cortinas que a parte superior da cama do príncipe continha. Aquele ambiente estava totalmente impregnado com o cheiro do príncipe, e ele teve novamente aquela sensação.
- O que é isso, afinal...? - sussurrava sozinho, enquanto totalmente envolvido por aquela atmosfera e acompanhando os batimentos do seu coração acelerado. Esse sentimento chegou do nada, como uma flecha...

Fim do primeiro capítulo.

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Capítulo 2 - Respire fundo.

Levantou-se depois de muito tempo deitado. Ainda estava confuso, mas resolveu não pensar no assunto. Lembrou-se que havia adiantado as tarefas que o conselheiro o passou ontem para assistir a uma aula de arco e flecha do príncipe. Saiu em direção ao campo de treinamento, onde Naruto uma vez lhe disse que era realizada a aula. À medida que ia se aproximando do local, começava a ouvir berros. Que raios estava acontecendo...? Chegou a uma proximidade tal que passava a entender as palavras de uma pessoa de uns 30, 40 anos gritando com muita voracidade:
- NÃO!! Você errou de novo! Está fazendo tudo errado! Preste mais atenção!! Sua postura está toda torta!!
- Se sabia disso porque não me avisou antes?? - Agora ele reconheceu a voz do príncipe. Mas que inferno, era aquele berreiro todo dia de treino? Adiantou-se e foi ao gramado.
- Com licença? - Ambos pararam de brigar e olharam para ele, curiosos. Sasuke sentiu um leve olhar de censura do padre que estava ensinando o príncipe. Já este, bradou de felicidade e logo exclamou:
- Ha! Sasuke!! - Ele abrira um sorriso largo, que fez com que seu amigo murmurasse um "olá" baixinho. O príncipe ia em direção ao seu amigo, mas o padre o impediu colocando sua mão no caminho, o que deixou o príncipe emburrado.
- O que quer, meu jovem? - Foi perguntando o padre, sem paciência.
- Eu... Não tenho nenhum compromisso agora e pensei que poderia assistir á uma aula sua, senhor. - O príncipe olhava entusiasmado para o padre, seu olhar suplicava ao padre que o deixasse ficar.
- Não sei se devo. Se você não faz aula com o príncipe deve haver um motivo. - especulava o padre, desviando o olhar.
- Ah, padre, não seja chato!! Ele não vai fazer nada, só vai olhar! Qual é o problema nisso?! - insistia o príncipe, olhando bravo para o padre.
- Está bem, está bem! - desistiu o padre, afastando o rosto do príncipe de perto dele - mas você vai ficar bem quieto, sentado logo ali! - o padre apontou um banco na sombra para que o garoto de cabelos negros fosse se sentar.
- Muito obrigado, padre. - disse o amigo do príncipe, sorrindo para aquele loiro que não se cansava de comemorar e sorrir pra ele. Andou para o banco e apreciou o fato de que ele estivesse na sombra. Estava muito quente.
- Muito bem, majestade. Vamos tentar de novo.
- Ta bom. - Então ele segurou o arco, pegou a flecha e se preparou para atirar, deu uma conferida olhando para o padre, e este acenou com a cabeça que ele estava fazendo tudo certo até aquele ponto. O príncipe fitou o alvo atentamente. Seu amigo ficou olhando fixamente para a sua postura, calculando se a flecha iria acertar ou não. Fêz-se um silêncio.
- Majestade.
- Que foi? - ele ainda olhava fixamente para o alvo.
- Não vai atirar? - o padre estava de braços cruzados olhando muito bravo para o príncipe.
- É que... o Sasuke ta olhando pra cá e.... Eu to com vergonha...!! - o padre capotou.
- Mas que! Concentre-se!! Finja que ele não está ali!!
- Mas, padre!! Olha só! - e eles se viraram para observar o garoto que olhava fixamente para eles. O príncipe começou a acenar para ele, que achou estranho, mas levantou a mão e fez um ace*****rto.
- Majestade, por favor. Se não se concentrar serei obrigado a expulsá-lo do campo de treinamento. - disse o padre, já sem paciência.
- Quê?! Eu me concentro, pode deixar! - ele voltou a pegar o arco, mas este escapou de sua mão devido ao nervosismo, o que fez o padre dar um tapa na sua própria testa, mas logo ele conseguiu fazer a pose de novo. Olhou fixamente para o alvo, suspirou e soltou a flecha, que saiu como um tiro, acertando 10 cm para a esquerda de onde deveria acertar.
- Majestade! O senhor não está se concentrando!!
- É difícil me concentrar com o seu olhar de reprovação em cima de mim o tempo todo!! Assim eu fico nervoso!!
- Não jogue a culpa em mim por sua incompetência!
- Com licença? - Eles param de novo, olhando mais uma vez com a mesma cara para o amigo do príncipe, que estava novamente no campo.
- O que quer agora, senhor? - reclamou o padre.
- Eu queria experimentar ensinar para o Na - o padre olhou-o com censura novamente - ensinar para o príncipe uma pose diferente, que eu acho que pode facilitá-lo.
- Deixa, padre? - O príncipe estava empolgado de novo.
- Claro, mas... Que experiências o senhor tem com arco e flecha?
- Eu já experimentei acertar uma flecha num alvo desses uma vez - ele pegou emprestado o arco e flechas do príncipe, fez logo uma pose, mirou, atirou e acertou em cheio o alvo á 30 metros de distância, então virou-se para o padre e completou - e deu certo.
- Faça o que quiser, mas não acho que vá dar certo. Esse príncipe é o pior aluno de arco e flechas que eu já tive. Eu o estou ensinando há três anos e ele só acerta o alvo por sorte. - Naruto olhou para baixo, parecia abatido. Seu amigo deu-lhe um tapinha no queixo para que ele se reerguesse e mandou que ele fizesse a pose que o padre ensinou. Ele observou por um tempo então exclamou:
- Já sei onde está o problema. – então ele se aproximou do príncipe, apoiou sua cabeça no ombro dele e sussurrou-lhe: - Você é destro. Quero que alinhe os seus pés com o seu braço direito. Ele vai te dar mais equilíbrio e precisão. - O príncipe murmurou um "ta" e tratou de fazer o que ele pediu. Vendo que ele ainda não estava correto, pegou no pulso do príncipe e ajustou-o no ponto que deveria ficar. Agora só faltava um detalhe. - Você está muito duro, tem que relaxar um pouco.
- Mas se eu relaxar vou sair da postura - Ele virou a cabeça para procurar os olhos do amigo, que simplesmente olhou fundo nos olhos do príncipe e disse: "relaxe". O padre olhava aquilo sem credibilidade, achava tudo uma grande besteira e sabia que não daria certo. Mas o garoto de cabelos negros nunca ligou para o que os outros pensavam e continuou:
- Ótimo, agora nos ombros... Isso... Respire fundo. Certo, agora quero que você olhe bem para o alvo. Está vendo ele? - o príncipe murmurou um "sim" e olhou atentamente para o alvo. Com seu amigo tão perto, ele sentia com facilidade o seu perfume e se sentiu seguro. - Naruto, agora vem o truque: você vai esquecer tudo á sua volta, concentre-se só no alvo. Visualize toda a trajetória da flecha. - O príncipe fechou os olhos e seu amigo abriu mais os braços dele. A voz sussurrada que o príncipe estava ouvindo era muito suave - Quando estiver pronto, solte a flecha. - ele esperou que o príncipe abrisse novamente os olhos e delicadamente se afastou, dando á ele mais espaço. Os olhos azuis do seu amigo estavam cerrados por causa do Sol escaldante, mas, ele podia ver que estavam extremamente determinados. O príncipe sabia que iria acertar e, confiante nas suas habilidades e nos conselhos do seu querido amigo, soltou a flecha, que saiu rápida, mas suave, cortando o ar com muita sutileza, até que acertou o seu alvo bem no centro.
- Ha! Eu-eu acertei! - Exclamava o príncipe, feliz da vida. O padre estava boquiaberto. Por essa ele não esperava.
- Impossível! Como? - O padre olhava inconformadamente para a flecha, fincada com precisão bem no centro do circulo preto.
- A sua técnica de arco e flecha exige demais a concentração. Como eu sei que o príncipe é péssimo nisso, ensinei á ele uma onde prevalece a postura e a mira. - Ele passou ao lado do padre e disse-lhe - O senhor deveria ajustar as variadas técnicas de arco e flecha aos seus alunos, assim é certeza de que eles acertem. - o padre ficou calado, depois exclamou um "Dispensados!" e foi embora furioso.
O príncipe e seu amigo andavam pelo castelo comentando a cena anterior com bastante entusiasmo; pelo menos da parte do príncipe.
- Foi ótimo você ter dito aquilo pro padre! Agora eu acho que ele vai largar um pouco do meu pé.
- Esse padre... É o mesmo que te ensina latim de manhã, não é?
-É, sim. Ah! Droga, aposto que ele vai descontar em mim amanhã, passando um exercício bem difícil! - o príncipe deu boas risadas e logo estavam os dois rindo.
- Sabe, foi muito bom você ter aparecido na aula hoje. - Eles paravam de rir, e, ouvindo isso, o seu amigo começou a olhar para o príncipe, interessado no que ele ia falar - Eu nunca tinha me divertido tanto numa aula de arco e flecha... Elas sempre foram muito chatas. - O amigo do príncipe começava a sentir seu coração acelerar de novo. 'O que ele está dizendo?', pensava. Sasuke olhava surpreso para o príncipe, que olhava para frente com um leve sorriso no rosto e que, quando percebeu que o seu amigo o observava, abriu logo um sorriso largo, o mesmo que fez o seu amigo de cabelos negros cambalear e cair na sua cama daquela vez [é claro que este detalhe o príncipe desconhecia]. Sasuke estava inquieto de novo, certamente estaria vermelho então tratou de virar o rosto. E, para sua felicidade e alívio, logo eles ouviram:
- Naruto! Naruto, querido! - era a rainha, que se aproximava numa quase corrida até eles.
- O que foi, mãe? - perguntou o príncipe, meio preocupado.
- Seu pai... - ela parou para respirar, então novamente prosseguiu - seu pai e eu precisamos conversar com você, seu amigo pode vir junto... - ela precisou respirar de novo. Estava bem fora de forma, pensou o amigo do príncipe. - Por favor, venham comigo á sala de reuniões.
Eles acompanharam-na até a sala de reuniões. O clima estava muito pesado, o que estava deixando o príncipe nervoso. Seu amigo pensou na possibilidade dele estar achando que o seu pai marcaria agora a data do casamento dele com a tal princesa, de modo que lançou-lhe um olhar cativante, a fim de distraí-lo. O príncipe riu, e logo eles estavam á porta da sala de reuniões. A rainha apressou-se e abriu a porta sutilmente, fazendo com que o barulho da porta roçando no piso fosse lento e gradual. A mesa da sala de reuniões era enorme e estava completamente lotada a não ser pelos respectivos lugares daqueles parados á porta.
- Naruto, meu filho, aproxime-se. - Disse o rei num tom ameaçador, que fez o príncipe engolir em seco. Eles se sentaram e ficaram apenas a observar o rei e aos outros convidados, que também o encaravam. - Eu trouxe todos vocês aqui porque tomei uma decisão precipitada que acabará por envolver a todos os presentes. - Ele olhou para o filho que resolveu fixar seus olhos nas mãos que estavam juntas ao seu joelho, e então prosseguiu - Eu sinto muito por isso, Naruto... Mas... - Ele olhava com pena para seu filho, que lutava para não descontrolar-se e sair dali. Isso seria muito deselegante, querido, repetia sua mãe em sua mente. Acabou por não suportar: levantou-se num ressalto e desabafou.
- Eu...! Eu não quero me casar!! - Sua voz ecoou pelo salão inteiro e ele ficou apenas ali, contemplando a mesa, arfando por ter se segurando tanto. Passou-se um tempo em que ninguém disse nada. O amigo do príncipe reparou na cara embasbacada do rei, mas antes que ele pudesse alertar o príncipe o rei voltou a falar.
- Casar...? Com quem você...? - Ele parou novamente e todos voltaram sua atenção para o rei de novo, até o príncipe. - Não, meu filho... Eu ia dizer que combinei com o Senhor do País do Fogo¹ que iria fazer uma festa aqui no palácio hoje á noite para dar as boas vindas e que você teria que usar aquele terno que tanto odeia! - O salão ficou novamente em silêncio por outro minuto, até que o príncipe começou a rir baixinho e, logo sua risada já estava ecoando pela Sala de Reuniões. Os membros presentes começaram a rir também, absolutamente confusos.
- Haa... Então quer dizer que eu não vou me casar? - Suspirou o príncipe depois de tanto rir.
- Claro que não, meu filho. - Disse o rei, também se rindo.
- Mas obviamente você vai ter que dançar com a filha do Senhor do País do Fogo! - Declarou animadamente a rainha, tentando entrar na piada. Seu filho parou de rir imediatamente. Aos poucos, todos os membros foram se calando até que o silêncio reinasse na Sala de Reuniões.


Senhor do País do Fogo¹: No segundo mangá de Naruto é apresentada a Senhora do País do Fogo que possui Tigre, o gato com um laço na orelha esquerda. Konoha se apresenta dentro do país do Fogo.
OBS: Eu não tenho nenhum conhecimento sobre arco e flecha. Tudo o que foi dito nesta fic é só especulação minha.

Fim do segundo capítulo.

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Capítulo 3 - Eu não sei dançar.

A noite era de um azul denso, iluminado pelas estrelas, pela Lua, e pelas luzes que saíam do Salão de Festas do Reino de Konoha. O príncipe estava perto do rei e da rainha, que acenavam para os convidados que dançavam animadamente. O garoto estava visivelmente aflito, dando meios sorrisos para quem lhe acenava.
- Qual o problema? - Sussurrou o garoto de cabelos escuros e rebeldes, dono de olhos negros fixados na expressão boba do príncipe ao acenar para uma senhora que aparentava ter uns 70 anos, e dono de um corpo alto e esbelto, muito bem vestido em um terno preto que acentuava ainda mais o seu costumeiro ar misterioso.
- Não é nada... - Respondeu o príncipe acenando novamente para um outro convidado. Seu amigo pode perceber que á medida que ele sorria, seu sorriso ia ficando mais e mais falso. Resolveu deixar pra lá. Quando ele não agüentasse mais, o príncipe certamente iria querer desabafar.
O garoto de cabelos negros acabou por andar um pouco pelo Salão para dar uma olhada nos convidados. Só havia gente da nobreza e do clero, e os hospitaleiros serventes do palácio que ziguezagueavam com suas bandejas cuidadosamente pelo mar de gente. Enquanto seguia uma moça com os olhos, sentiu uns tapinhas em seu ombro. Virou-se para ver do que se tratava.
- Não vai dançar? - Era o conselheiro do rei, que ficou encarregado de cuidar do amigo do príncipe depois que seus pais morreram na guerra. Ele tinha um copo de champagne na mão e Sasuke não duvidou que este pudesse ser o seu terceiro esta noite.
- Não estou achando ninguém á minha altura - resmungou, tirando os olhos da moça de vestido verde para encarar seu pai adotivo. O conselheiro riu. Ele era um homem não muito velho, não havia chegado aos 40, com olhos pretos e um cabelo cinza claro. O garoto já havia testemunhado várias vezes as serventes dando em cima dele e até o contrário. Logo alguém chamou o conselheiro e este se virou para ***primentá-lo. O garoto tinha certeza de que iria sobrar pra ele. Não deu outra.
- Este aqui é Sasuke. - Disse o conselheiro enquanto colocava suas mãos no ombro do garoto, que observava o mar de convidados. Sasuke ***primentou-o sem dizer uma palavra e voltou a olhar a massa á procura de uma dama que não tivesse um vestido tão chamativo quanto o último que ele vira. O conselheiro riu da antipatia do garoto, já estava acostumado. - Ele está a fim de dançar com uma garota. - Era só o que faltava, agora ele virara o tema da conversa daqueles dois. Bufou para descontar sua raiva contida. Os homens conversavam animadamente sobre as belas damas que estavam presentes naquela noite, e o garoto resolveu ignorá-los depois que foi obrigado á ouvir seu pai adotivo comentar a cor da calcinha de uma servente. Voltou sua atenção para os convidados e quando olhou para a porta, viu uma movimentação estranha. Supôs que algum convidado importante havia chegado e pôs-se a observar. - Parece que eles chegaram, não é? - O garoto ouviu a voz do conselheiro comentar com o amigo mas ignorou-os logo em seguida porque seus olhos negros haviam encontrado a garota certa. Ela tinha cabelos loiros até os joelhos e seu vestido era vermelho com detalhes em branco. Ela andava graciosamente pelo salão enquanto o garoto seguia-a com os olhos. - Parece que encontrou um par para dançar. Vai lá, Sasuke. - O garoto foi em direção á ela sem dizer nada, seus olhos fixos naqueles cabelos loiros que dançavam atrás daquelas costas delicadas. Tocou de leve seu ombro macio, fazendo-a se virar e jogar todo seu cabelo para traz.
- Quer dançar, senhorita? – Disse o garoto, olhando maliciosamente para ela, que sorriu e colocou sua mão leve na dele. Ele conduziu-a sutilmente para o meio do salão e colocou sua mão na cintura da garota de cabelos loiros. Agora que estavam perto, o garoto pode perceber que ela tinha olhos azuis brilhantes, exatamente como os do príncipe. Quando estes pensamentos passaram por sua mente, sorriu de leve, o que fez a moça mostrar seu sorriso cativante e terno. Dançaram por um tempo, a garota acompanhando os passos do garoto, que observava as pessoas dançando ao seu lado. Assustou-se quando achou o príncipe dançando também. Ele estava com uma moça de vestido simples, longo e verde claro. Nada mal, pensou ele. Enfim pararam de dançar. O garoto beijou a mão da moça, que o olhava interessada e com um sorriso lindo no rosto, e afastou-se. Pegou um copo de alguma coisa que não fazia idéia do que era e bebeu. Nem reparou no gosto ardente que descia pela sua garganta como fogo, pois seus pensamentos estavam longe dali, junto com aquele que agarrou seu braço e puxou-o com força para traz. Virou-se buscando onde apoiar, pois perdera totalmente o equilíbrio e quando o recuperou, olhou fixamente para aqueles olhos azuis que o encaravam.
- Sasuke. - Sibilou o príncipe, olhando bravo para o seu amigo. Primeiro o garoto achou ter feito algo errado, mas esqueceu-se disso quando o príncipe suspirou inconformado. Algo o estava atormentando e por isso seu amigo resolveu puxar algum assunto para distraí-lo.
- Eu vi que você dançou com uma menina. Não era nada mal... Como - E foi interrompido pelo príncipe que disse:
- Lembra que você tinha me perguntado o que havia de errado comigo? - Ele olhava fixamente para o chão, encarando-o. Seu amigo esperou a resposta, curioso. - Acontece... Que eu não sei dançar. - Disse o príncipe virando o rosto. Seu amigo precisou de uns segundos para colocar as idéias no lugar e prosseguiu logo em seguida.
- Mas você dançou com uma garota hoje. - O príncipe mordeu os lábios com força fazendo seu amigo olhá-lo mais fixamente. Por fim o garoto loiro olhou-o bravo.
- Eu pisei no pé dela seis vezes e nem dançamos muito! Desse jeito não vou conseguir dançar com a princesa do Reino do Fogo. - Ele olhou para o lado, derrotado. Seu amigo, ainda observando-o, aproximou-se e colocou a mão em seu ombro.
- Ei. Não fique assim, Naruto. - O príncipe levantou o rosto para encará-lo. Seus olhos suplicavam ao garoto que ele lhe dissesse algo que o acalmasse. - Eu acho que posso dar um jeito nisso. - O príncipe olhou-o surpreso.
- O que vai fazer?
- Venha comigo. - O garoto pegou a mão do príncipe e conduziu-o até uma porta que dava para o jardim, então soltou a sua mão. - Eu posso te ensinar como dançar aqui fora. - O rosto do príncipe encheu-se de esperança; ele pegou a mão de seu amigo e o conduziu para fora, rindo.
- Okay. Pode me ensinar!
O amigo do príncipe ensinou-lhe sobre o ritmo, sobre o papel de cada par na dança - o homem deve conduzir a mulher, que acompanha - e deu-lhe umas dicas. Quando o príncipe sentiu-se preparado, eles resolveram fazer um teste.
- Eu vou ter que dançar com outra mulher?! - Berrou o príncipe.
- Seria bom. - Disse seu amigo observando as pernas do príncipe começar a tremer. - Ou, se você preferir, como é só um teste... - Ele desviou o olhar quando o príncipe olhou-o esperançoso. - Eu posso dançar com você, já que é só um teste. – Sasuke ficou mudo, apenas pôs-se a observar o salão de festas, mas no fundo não olhava para nada.
- Você faria mesmo isso por mim? – O príncipe cortou o silêncio que se mantinha.
- Eu já disse que é só um teste. E a gente ainda pode ir para aquela capela, que fica ainda mais afastada caso algum convidado curioso queira olhar para o lado de fora.
O príncipe riu e olhou para seu amigo esperando que ele tomasse uma iniciativa. Este então saiu em direção á capela, enquanto o príncipe o seguia. Quando chegaram, ficaram se olhando até um ponto em que o garoto de cabelos negros puxou seu amigo loiro para si e sussurrou ao seu ouvido:
- Não temos muito tempo á perder. – A voz macia dele fez subir um arrepio pela espinha do príncipe.
- Mas os anjos estão me encarando... – Desconversou o príncipe.
- Assim é melhor, porque você já vai praticando pra quando tiver que dançar no meio do salão.
- Isso não foi muito encorajador. – Comentou o príncipe, tentando esquecer a piada sem graça de seu amigo. O garoto de cabelos negros colocou uma de suas mão no ombro do príncipe, enquanto este colocava a dele naquela esbelta cintura. Estava tudo pronto, só faltava eles começarem a dançar. Naruto apoiou sua cabeça no ombro de seu amigo e passou a olhar para seus pés. Ele daria tudo de si naquele teste, teria que dar. Sasuke logo acomodou seu queixo no ombro do príncipe, que ainda olhava para os pés. Ele achou melhor encorajá-lo um pouco.
- Está ouvindo? – Perguntou.
- Ah?
- A música ao longe.
- Ah, sim.
- Não se preocupe, está bem? Podemos repetir até que fique bom, porque eu tenho a noite toda mesmo. Se você se concentrar só no compasso da música, fica mais fácil. Comece quando quiser. – O amigo do príncipe poderia passar a noite inteira parado daquele jeito. Só o fato de estarem perto já o satisfazia completamente, mas o príncipe se sentia na obrigação de dançar direito não só para agradar sua mãe, mas para que o sacrifício que seu amigo estava fazendo não fosse em vão.
Então eles começaram. O garoto loiro ainda olhava para o chão, prestando o máximo de atenção que conseguia naquilo, enquanto seu amigo só se deixava levar de olhos fechados. A música ao longe se misturava com os sons da noite como o vento, as folhas, as cigarras e a água que jorrava da fonte no jardim. Não souberam dizer quando tempo se passou, e nem queriam saber. O príncipe estava tão relaxado que fechara os olhos também: pela primeira vez ele tinha gostado de dançar.
Abriram os olhos quando pensaram ter se passado tempo demais, e neste momento seus olhos se encontraram de novo. Os olhos azuis do príncipe agora pareciam bem mais brilhantes e azuis: eram de um azul pleno e suave. Os de seu amigo, negros como sempre; porém a luz da Lua lhes dava um brilho todo especial. Embora completamente hipnotizado pelos olhos inocentes de seu amigo loiro, Sasuke murmurou:
- Eu acho que você deve ir agora. – Estas palavras, embora de um tom tão firme, entristeceram o príncipe, que olhou para baixo como se procurasse uma desculpa para ficar. Por fim, concordou com um sorriso: não queria preocupar seu amigo. Suas mãos entrelaçadas se soltaram á medida que o príncipe se afastava, e quando ficaram inalcançáveis, tornaram a ficar sozinhos. O amigo do príncipe bufou enquanto observava-o ir embora do jeito desajeitado de sempre, tão ******. Decidiu apoiar seus cotovelos no muro baixo da singela capela e ficar a observar a fonte do jardim. Então, quando lhe pareceu sem sentido ficar ali pensando naquela sensação que o incomodava tanto, voltou para o Salão de Festas. Inconscientemente passou a procurá-lo. Estava ficando obsessiva essa sua necessidade de vê-lo o tempo todo, e quando pensou nisso virou-se para observar o jardim.
Perdeu-se novamente em seus pensamentos e nem percebeu a salva de palmas que cortaram o Salão minutos depois. Ele só viria a retornar depois de ser envolvido num abraço apertado, que lhe devolveu aquela atmosfera de que tanto sentira falta. Virou-se segurando as mãos de seu amigo e olhou-o bem fundo. Ele riu.
- Não vai me perguntar como me saí? – Seu amigo teria perguntado, mas nem sabia que ele já tinha dançado (além disso, aquele sorriso realmente o tirava de seu juízo normal).
- Como se saiu na tão esperada dança?
- Eu acho que fui bem, só pisei no pé dela uma vez! – E deu um sorriso largo que logo se tornaria uma risada contagiante. Logo, os dois estavam rindo. – É estranho como eu me divirto quando estou com você. – Disse o príncipe, olhando para os convidados.
- Você e esse seu jeito desastrado também me divertem muito. – Respondeu seu amigo com um sorriso torto, e deu um tapinha na cabeça do príncipe, que riu novamente. Certamente nenhum deles esqueceria esta noite.

Fim do terceiro capítulo.

________________________________________________________________________________


Capítulo 4 – Não poderia ser assim.

O palácio agora estava silencioso. Depois da festa animadíssima, todos foram para a cama, exaustos. O encerramento da festa foi único, com uma dança entre o Rei e sua Rainha com os Senhores do País do fogo. Foi uma dança descontraída e todos batiam palmas enquanto eles dançavam. O príncipe adorou esta idéia, afinal, seu pai não levava jeito para dança tanto quanto ele. Foi engraçado vê-los dançar tão animadamente. O príncipe se revirava na cama, inquieto. Não conseguia dormir apesar de nunca ter tido problemas com isso. Ele sabia o que deveria fazer. Olhou para o relógio de seu criado-mudo que lhe indicou que era meia noite. Já fazia uma hora que ele estava acordado tentando dormir. Levantou-se devagar e procurou suas pantufas que, para variar, estavam bem longe dali. Colocou-as e andou até a porta do quarto de seu amigo¹. Abriu-a o mais silenciosamente que pode e encostou-a logo depois que adentrou o quarto. Seu amigo, pelo que ele pode perceber com a pouca luz que entrava das frestas da janela, estava de costas para a porta, de modo que não pode saber se ele estava dormindo ou não. Aproximou-se da cama e sentou-se cuidadosamente naquele colchão macio. O príncipe não tinha certeza do que estava fazendo, só sabia que devia fazer.
- Sasuke. – Sibilou o garoto loiro. – Você está dormindo? – Disse num tom baixo que a noite sem ruído algum tornou bem audível. O quarto voltou a ficar silencioso logo em seguida. O príncipe agarrou o lençol de seu amigo com força e apertou os olhos. O que ele estava fazendo ali? Quase se levantou e foi embora.
- Não consegue dormir? – Ouviu finalmente e soltou o lençol. Agora, apesar da noite quase muda, sentia-se melhor.
- Não. – Disse ele, olhando as costas de seu amigo que não movera um músculo. Este se virou e olhou fundo os olhos do príncipe que estavam levemente iluminados pela pouca luz que escapava pela janela, e levantou seu cobertor para que o príncipe se acomodasse em sua cama. Assim ele o fez, mas desviava seu olhar do dele. Ouvindo a respiração do príncipe, o garoto de cabelos negros passou seu braço pela cintura de seu amigo e puxou-o mais para perto. O príncipe não soube como agir, mas relaxou quando ouviu os batimentos do coração de seu amigo. – Hoje foi um dia engraçado. Ou ontem, eu acho. – sussurrou por fim, completamente á vontade nos braços dele, que apoiara seu queixo na sua cabeça e a acariciava devagar.
- Já passou de meia noite? - Perguntou aquele que o fazia se sentir tão bem.
- Provavelmente. - Respondeu o garoto loiro. Seu amigo fez um grunhido, pensando consigo. - Não concorda comigo sobre a festa?
- É. – Disse seu amigo. O príncipe sentiu a voz dele passar pelo pulmão e achou aquilo muito divertido. Sasuke nunca fora de muitas palavras, mas sempre dizia o que era necessário. Aquele seu jeito aparentemente frio lhe dava um ar intimidador, mas ele nunca deixou de ajudar o príncipe e de ficar ao seu lado quando ninguém mais o fazia; talvez seja por isso que o príncipe tenha se apegado tanto á ele. Abraçou aquelas costas largas com força e com um sorriso largo no rosto, que depois de ter sido sentido no peito de seu amigo, arrancou dele uma risada curta.
Passaram algum tempo ali sem dizer uma palavra. Os olhos negros do amigo do príncipe estavam abertos e olhando para o teto, enquanto sua mão esquerda acariciava os cabelos louros de seu amigo que apoiara sua cabeça no peito do dono daqueles cabelos pretos rebeldes.
- Já se sente melhor? – Murmurou ele um tempo depois.
- Uh-hum. – Disse o príncipe, olhando para os olhos negros de seu amigo.
- Então é melhor você ir dormir, porque precisa acordar cedo amanhã. – Disse enquanto ainda acariciava aqueles cabelos loiros.
- Está bem. – Respondeu com um sorriso no rosto. Então o príncipe levantou-se, andou até a porta e parou novamente, enquanto seu amigo só o observava. – Boa noite pra você, Sasuke.
- Boa noite. – Disse enquanto contemplava aquele sorriso típico do garoto, que o fez sorrir de leve. O príncipe olhou calorosamente o sorriso de seu amigo e fechou a porta ao sair. Ele andou até sua cama e jogou-se nela, como de costume. Agora ele certamente dormiria como uma pedra. Enquanto isso seu amigo voltara a observar o teto. Sua cama estava totalmente impregnada com aquela atmosfera, de modo que se sentiu incomodado ao mesmo tempo em que se sentia satisfeito. Por fim levantou-se e saiu pela outra porta, a que dava para o quarto de seu pai adotivo. Resolveu pegar a chave que o conselheiro disse-lhe que poderia usar á vontade para entrar na biblioteca, afinal, ler era um dos hobbies que eles tinham em comum. Pegou a chave fazendo o que pode para não acordar seu pai adotivo e aparentemente obteve sucesso. Saiu silenciosamente em direção á biblioteca do reino com a primeira roupa que encontrou. Seus passos ecoavam ruidosamente pelo palácio vazio, e as chaves faziam um barulho abafado de dentro dos bolsos, o que logo chamou a atenção de uma servente que apareceu do nada, muito preocupada e disse:
- Senhor? – O garoto estranhou a coragem da moça de ter vindo verificar de onde vinham os barulhos estranhos do corredor.
- Está tudo bem, pode voltar para sua cama. – Ele procurou acalmar a servente.
- Sim senhor. – A moça fez uma mesura, mas antes que ela pudesse ir embora, Sasuke disse-lhe:
- Tem mais uma coisa. Eu não estive aqui hoje, e você dormiu muito bem. – Alertou.
- Sim, senhor. – Disse por fim e voltou para seu quarto.
O garoto continuou seu caminho ruidoso (aquilo o estava incomodando imensamente) até que finalmente chegou á biblioteca. Abriu cuidadosamente a porta e trancou-a novamente caso alguma servente tentasse abrir para conferir se estava tudo fechado como normalmente acontecia. Acendeu a luz e começou a procurar algum livro qualquer que pudesse ler para ver se lhe dava sono. Esbarrou acidentalmente em uma pilha de livros que estava em cima de uma mesa e acabou por derrubá-los. Xingou baixo e tratou de recolhê-los, não prestando atenção na capa de nenhum deles. Quando os colocou em seu devido lugar, percebeu que na mesa havia uma placa que dizia: "Livros favoritos da Rainha". Livros românticos chatos, pensou o garoto, irritado. Como ele não tinha nada melhor para fazer, resolveu pegar um livro qualquer daquela pilha e folhear. Abriu uma página qualquer e leu um pedaço que dizia: "A cada dia que passa sinto mais a tua falta; já não agüento mais ficar longe de ti, de teus olhos claros como o dia, de teu cheiro que adentra meus pulmões e circula por todo o meu sangue, paralizando-me. Quero-te mais do que eu possa imaginar. Amo-te tanto que meu coração aperta sem tua presença. Amo-te. Amo-te demais". Fechou o livro com força. Apesar dos 'sintomas' serem os mesmos, não poderia ser assim.
De repente, ouviu um barulho: alguém estava entrando na biblioteca. Rapidamente deixou o livro onde estava e tratou de ficar quieto atrás de uma grande estante repleta de livros que começavam com a letra "d". Ficou a olhar entre os livros para ver se descobria quem iria á biblioteca á uma hora dessas, além dele mesmo. Finalmente a porta abriu-se e o garoto pode ouvir:
- Ah, hoje tivemos uma noite maravilhosa! - Reconheceu a voz imediatamente. Era a rainha.
- De fato, minha querida! Nossa dança certamente foi espetacular! - Disse uma voz que o garoto de olhos pretos desconfiados identificou pertencer ao rei.
- Ué? Por que a luz da Biblioteca está acessa? - Indagou a rainha, fazendo o garoto engolir em seco.
- Deve ter sido o nosso amável conselheiro esquecido, mas amante das artes literárias. - Retrucou confiante o rei. Em parte ele tinha acertado, pensou Sasuke.
- Sabe, Minato. - Disse a rainha e depois se ouviu um barulho que o inocente intruso constatou ser da rainha sentando-se - Esta noite me lembrou o nosso primeiro baile.
- Aquela noite com certeza foi maravilhosa. - Suspirou o rei, e repetindo o mesmo barulho, desta vez um pouco mais alto, sentou-se. - Lembro-me de como você estava encantadora naquele momento. Quando eu cheguei muito perto senti aquele seu perfume... - Ele fez uma pausa - que por sinal você está usando agora mesmo... E fiquei tonto... Acho que foi amor á primeira vista! - Concluiu o rei, animado.
- Não seja bobo, você também estava muito elegante. Tão atraente... Ah, Minato, eu te amo tanto!
- Meu amor por você não mudou desde aquele dia, Kushina. - Houve um outro momento de silêncio em que o garoto achou melhor não espiar o que estava acontecendo. Ouviu-se um outro barulho abafado, seguido de passos: eles estavam indo embora. Apagaram a luz e trancaram a porta. Logo a biblioteca ficou imensamente vazia e absolutamente silenciosa. Sasuke ficou quieto, acompanhando o ambiente do cômodo. Seus olhos escuros estavam abertos, incrédulos. Parecia mentira, mas tudo estava tão claro em sua mente...
- Eu amo aquele príncipe ******. - Sussurrou para si. - Eu te amo... Droga, eu te amo muito.

Andou até a porta do quarto de seu amigo¹: Nos grandes palácios da Europa, os quartos dos membros mais importantes dão para quartos de seus amigos mais chegados. Fonte: Bibliografia de Maria Antonieta, que eu li a pouco tempo.

Fim do quarto e último capítulo.


Dom Nov 16, 2008 1:23 pm
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Mensagem Re: Konoha: um reino.
Ergh Yaoi D:


Dom Nov 16, 2008 1:29 pm
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Mensagem Re: Konoha: um reino.
Yeah, yeah! Sasunarusasu forever u_ub


Dom Nov 16, 2008 1:31 pm
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 Re: Konoha: um reino.
Nhaaaaaiii!! posta o 2º CAPÍTULOOOOOOO *O*
nhaaaaiii... eu to esperando a muito tempoooo...
posta... posta... posta....
POSTA INO-CHAAAAN!!!!


Dom Nov 16, 2008 4:31 pm
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Mensagem Re: Konoha: um reino.
Ray-chan escreveu:
Nhaaaaaiii!! posta o 2º CAPÍTULOOOOOOO *O*
nhaaaaiii... eu to esperando a muito tempoooo...
posta... posta... posta....
POSTA INO-CHAAAAN!!!!


A Ray nem é Fangirl né ¦D...


Dom Nov 16, 2008 4:32 pm
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Mensagem Re: Konoha: um reino.
NekoSakky escreveu:
Ray-chan escreveu:
Nhaaaaaiii!! posta o 2º CAPÍTULOOOOOOO *O*
nhaaaaiii... eu to esperando a muito tempoooo...
posta... posta... posta....
POSTA INO-CHAAAAN!!!!


A Ray nem é Fangirl né ¦D...


Magina, a Ray? x3 Mas é bom ter alguém que seja tão fervorozamente fã de você.... obrigada Ray ;D Acho que amanhã eu ja vou postar o 2° capítulo, okay? :3


Dom Nov 16, 2008 5:15 pm
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Mensagem Re: Konoha: um reino.
yamanaka_hime escreveu:
NekoSakky escreveu:
Ray-chan escreveu:
Nhaaaaaiii!! posta o 2º CAPÍTULOOOOOOO *O*
nhaaaaiii... eu to esperando a muito tempoooo...
posta... posta... posta....
POSTA INO-CHAAAAN!!!!


A Ray nem é Fangirl né ¦D...


Magina, a Ray? x3 Mas é bom ter alguém que seja tão fervorozamente fã de você.... obrigada Ray ;D Acho que amanhã eu ja vou postar o 2° capítulo, okay? :3


Nhaaaaiiii!!! estarei aquii... *-*


Dom Nov 16, 2008 5:48 pm
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Mensagem Re: Konoha: um reino.
adorei *-*
Quero o cap. 2!
x3


Dom Nov 16, 2008 8:07 pm
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Mensagem Konoha: um reino.
Capítulo 2 avaliable ;O


Seg Nov 17, 2008 4:31 pm
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Data de registro: Sáb Nov 15, 2008 2:16 pm
Mensagens: 1302
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---------
Mensagem Re: Konoha: um reino.
capítulo 3 avaliable! ;O


Sáb Nov 22, 2008 4:47 pm
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